Editorial da Folha acusa governo Lula de ‘descalabro’ nas estatais

Jornal aponta perdas bilionárias, risco de novos aportes públicos e avanço da crise em empresas como Correios, ENBPar, Infraero e Casa da Moeda. Documento do Tesouro projeta déficits sucessivos em estatais dependentes de receitas próprias.

Por Redação-
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Folha de S.Paulo publicou, na noite de domingo (16), um editorial crítico à situação das estatais federais sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o texto, o cenário atual seria de “descalabro”, marcado por “ideologia estatista” e por um suposto “desapreço por regras básicas de boa governança”. Para o jornal, esses fatores estariam aprofundando déficits e aumentando a possibilidade de novos aportes bilionários do Tesouro Nacional.

A análise tem como base o 7º Relatório de Riscos Fiscais do Tesouro Nacional, que projeta déficits sucessivos em nove empresas federais. Entre 27 estatais que dependem de receitas próprias — excluídas Petrobras e bancos públicos — o documento estima perdas de R$ 6,2 bilhões em 2025 e R$ 6,7 bilhões em 2026. Para o editorial, os números indicam que “o modelo atual está esgotado”.

O jornal destaca que os Correios registraram prejuízo de R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre de 2025, quase cinco vezes maior que o apurado em 2024. No acumulado do primeiro semestre, as perdas somaram R$ 4,4 bilhões. O editorial cita ainda que a estatal discute um possível empréstimo de R$ 20 bilhões, com garantia do Tesouro. Na avaliação do jornal, isso “adiaria o inevitável” e aumentaria o custo ao contribuinte. “Manter o modelo atual é condenar os pagadores de impostos a mais um ciclo de rombos”, afirma.

A Folha menciona ainda outras empresas do governo federal. A ENBPar, responsável pela Eletronuclear, precisaria de R$ 1,4 bilhão para cobrir despesas até dezembro, enquanto a conclusão da usina Angra 3 pode exigir mais R$ 20 bilhões, segundo estimativas oficiais. Infraero, Casa da Moeda e Companhias Docas de cinco estados também enfrentam redução de receitas e prejuízos acumulados, aponta o editorial.

O texto conclui afirmando que o governo deve rever a política para estatais e adotar medidas de ajuste para evitar que o impacto fiscal se amplie nos próximos anos.