Trump pressiona republicanos por abertura total dos arquivos Epstein

Às vésperas de votação na Câmara dos EUA, Donald Trump muda de posição e defende que republicanos apoiem a liberação integral dos arquivos do caso Epstein, após dias tentando barrar a medida nos bastidores.

Por Redação-
3 Min

Reprodução/Netflix

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu aliados ao defender publicamente, no último domingo (16), que os republicanos votem pela liberação de “todos os arquivos” relacionados ao caso Jeffrey Epstein. A declaração contrasta com a atuação recente do próprio presidente, que vinha tentando impedir o avanço da proposta entre os membros da bancada.

Em postagem no Truth Social, Trump afirmou: “House Republicans should vote to release the Epstein files, because we have nothing to hide, and it’s time to move on from this Democrat Hoax perpetrated by Radical Left Lunatics in order to deflect from the Great Success of the Republican Party.”

Tradução (da redação):"Os republicanos da Câmara devem votar pela divulgação dos arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder, e é hora de superarmos essa farsa democrata perpetrada por lunáticos da esquerda radical para desviar a atenção do grande sucesso do Partido Republicano.”

A manifestação ocorre dois dias antes da votação na Câmara, que analisará um projeto de lei obrigando o Departamento de Justiça a divulgar todos os documentos referentes ao caso Epstein. O avanço da proposta foi impulsionado pela discharge petition, mecanismo que força a apreciação em plenário, após alcançar as 218 assinaturas necessárias na semana passada.

Mesmo com a possível aprovação, o texto ainda precisará passar pelo Senado e dependerá da própria assinatura de Trump. Até o momento, o presidente não indicou se orientará senadores republicanos a apoiar a matéria.

A discharge petition contou com assinaturas dos 214 democratas e de quatro republicanos: Thomas Massie (Kentucky), Nancy Mace (Carolina do Sul), Lauren Boebert (Colorado) e Marjorie Taylor Greene (Geórgia). O movimento contrariou a liderança republicana e irritou Trump.

Na quarta-feira anterior, o Comitê de Supervisão da Câmara divulgou mais de 20 mil páginas de documentos fornecidos pelo espólio de Epstein. Entre os materiais estão e-mails em que o financista sugere que Trump tinha conhecimento de seu esquema de aliciamento. Em um e-mail de 31 de janeiro de 2019, Epstein escreveu: “[O]f course he knew about the girls as he asked [G]hislaine to stop”, citando Ghislaine Maxwell, acusada de recrutar vítimas.

No dia seguinte, Epstein registrou em mensagem privada que, embora “Trump knew of it. and came to my house many times during that period”, o então futuro presidente “never got a massage”.

Trump e Epstein tiveram convivência próxima nos anos 1990 e início dos anos 2000, até romperem após uma disputa pela compra de uma mansão em Palm Beach, posteriormente demolida.