MP Eleitoral defende multa de até R$ 30 mil por uso de IA em fake news
Proposta apresentada em audiência do TSE prevê punição para desinformação produzida ou manipulada com inteligência artificial nas eleições gerais de 2026.
Foto: Agência Brasil
O Ministério Público Eleitoral propôs a aplicação de multas de até R$ 30 mil para quem divulgar desinformação criada ou alterada com o uso de inteligência artificial durante a propaganda eleitoral. A sugestão foi apresentada nesta quinta-feira (5), em audiência pública do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que discute as normas para as Eleições Gerais de 2026.
A proposta foi defendida pelo procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, que afirmou que a medida busca suprir uma lacuna da legislação eleitoral. Segundo ele, as regras atuais não tratam de forma específica das punições para conteúdos fabricados ou manipulados com ferramentas de IA.
Lacuna nas regras eleitoraisO debate ganhou força após a divulgação, em janeiro, das minutas das normas eleitorais, que não abordavam diretamente o uso de inteligência artificial. As audiências públicas do TSE ocorreram ao longo de três dias e reuniram representantes de partidos, especialistas, entidades e membros da sociedade civil.
IA e deepfakes no foco do debateEntre os principais pontos discutidos está a necessidade de regras mais claras para o uso de IA nas campanhas, especialmente diante do avanço de conteúdos sintéticos e deepfakes. As sugestões incluem exigências maiores de transparência, criação de relatórios auditáveis, definição objetiva do que é conteúdo gerado artificialmente e ampliação do conceito de propaganda político-eleitoral.
Esse conceito poderia passar a incluir menções a autoridades, instituições públicas e até anúncios de produtos que façam referência indireta a candidatos.
Fiscalização das plataformasOutra proposta debatida prevê maior fiscalização das plataformas digitais, com obrigação de informar quem financiou a propaganda, os valores investidos e o público alcançado. O objetivo é dificultar o uso de estratégias pouco transparentes para disseminar desinformação no período eleitoral.
As minutas do TSE também já incorporam entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo a remoção imediata de conteúdos que ataquem o sistema eleitoral ou incentivem atos antidemocráticos, mesmo sem decisão judicial prévia.
Próximos passosO TSE recebeu 1.431 sugestões de ajustes às normas eleitorais. As propostas passam agora por análise técnica e poderão ser incorporadas aos textos finais, que ainda serão debatidos e votados pelo plenário do tribunal.
As regras precisam ser aprovadas até 5 de março para valer nas eleições de 2026. Desde 2025, sob a presidência da ministra Cármen Lúcia, o TSE intensificou estudos sobre desinformação e inteligência artificial após a circulação de vídeos hiper-realistas no debate político.