PF diz não haver indícios contra Moraes em mensagens com Vorcaro

Investigação da Polícia Federal aponta que não há elementos para apurar conduta do ministro Alexandre de Moraes; avaliação sobre possível relação envolvendo Dias Toffoli segue diferente.

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A Polícia Federal informou que, até o momento, não encontrou elementos que justifiquem a abertura de investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no caso envolvendo mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

De acordo com investigadores que analisaram os materiais apreendidos, não há indícios de irregularidade que indiquem conduta suspeita do magistrado nas mensagens associadas ao banqueiro.

A avaliação da corporação, no entanto, seria diferente em relação ao ministro Dias Toffoli.

Segundo informações da investigação, existem suspeitas sobre uma possível relação de negócios envolvendo o Banco Master e o Tayayá Resort, empreendimento do qual Toffoli e seus irmãos já foram sócios. Em fevereiro, a Polícia Federal chegou a apresentar ao presidente do STF, Edson Fachin, dados que apontariam possíveis vínculos entre o ministro e o banco, levantando suspeitas de eventuais crimes financeiros.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro

Reportagem publicada pelo jornal O Globo revelou que a Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro ao menos nove mensagens associadas ao nome do ministro Alexandre de Moraes.

Os registros teriam sido enviados em 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez.

De acordo com os investigadores, os horários dessas mensagens coincidem com registros identificados em imagens de blocos de notas armazenados no aparelho do banqueiro.

Nas anotações, aparecem textos que fariam referência a negociações para tentar salvar o Banco Master e também a tentativas de obter informações sobre o inquérito que investigava Vorcaro.

Comunicação teria sido feita com mensagens temporárias

Segundo a reportagem, a comunicação entre Vorcaro e o interlocutor identificado como Moraes teria sido realizada por meio de mensagens com destruição automática.

Para evitar registros permanentes, o banqueiro teria escrito os textos em um bloco de notas e enviado as imagens configuradas para visualização única.

Ainda conforme o relato, no mesmo dia das mensagens — 17 de novembro — Vorcaro informou ao interlocutor que negociava uma operação para tentar salvar o Banco Master.

Naquela mesma tarde foi anunciado o acordo para a venda do banco ao Grupo Fictor. Em uma das mensagens registradas, o banqueiro afirma estar “tentando antecipar os investidores e ter chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte”.

Moraes nega ter recebido mensagens

O ministro Alexandre de Moraes negou ter recebido qualquer mensagem enviada por Daniel Vorcaro.

Em nota divulgada anteriormente, o magistrado afirmou que o conteúdo enviado pelo banqueiro teria sido direcionado a outra pessoa, e não a ele.

PF afirma que conteúdo das conversas não pode ser confirmado

Apesar de os horários das mensagens coincidirem com as anotações encontradas no celular de Vorcaro, integrantes da cúpula da Polícia Federal afirmam que não é possível confirmar o conteúdo exato das conversas.

Dessa forma, segundo os investigadores, os elementos disponíveis até o momento não permitem identificar o que teria sido discutido entre as partes.

As informações foram divulgadas inicialmente pela Revista Oeste.