Guerra entre PCC e CV começou após morte de Rafaat no Paraguai
A morte do chamado “rei da fronteira” desestruturou o controle do tráfico na região de fronteira entre Brasil e Paraguai e abriu espaço para a guerra entre o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
Presos celebram matança na penitenciária de Manaus, em 2017 | Foto: Reprodução
A execução ocorreu na noite de 15 de junho de 2016, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia localizada na fronteira com o Brasil. Rafaat foi morto com disparos de uma metralhadora antiaérea calibre .50, armamento de uso militar capaz de perfurar blindagens e derrubar aeronaves.
Segundo relatos da época, o traficante trafegava em uma caminhonete blindada quando foi surpreendido por criminosos em uma picape branca. O ataque ocorreu próximo à Paróquia São Geraldo e interrompeu uma missa celebrada no local. A ação contou com mais de 200 disparos e deixou feridos, além de provocar pânico entre moradores da cidade.
Conhecido como “rei da fronteira”, Jorge Rafaat controlava rotas estratégicas de tráfico de drogas, armas e contrabando entre o Paraguai e o Brasil. Filho de libaneses e natural do Brasil, ele mantinha relações comerciais tanto com integrantes do PCC quanto do CV, funcionando como uma espécie de intermediador entre as facções.
Após sua morte, a disputa pelo controle das rotas de tráfico se intensificou e desencadeou uma sequência de confrontos violentos dentro e fora dos presídios brasileiros. O avanço das facções provocou massacres em penitenciárias, aumento nos índices de homicídios e expansão das organizações criminosas para países vizinhos da América do Sul.
A execução de Rafaat é considerada por investigadores e especialistas em segurança pública um dos principais marcos da escalada do crime organizado na região de fronteira entre Brasil e Paraguai.