Jovem que teve mãos decepadas no Ceará segue internada
Acusados viraram réus por tentativa de feminicídio; vítima passou por cirurgia de 12 horas e iniciou fisioterapia.
Ronivaldo Rocha dos Santos e Evangelista Rocha dos Santos | Foto: Reprodução
O Tribunal de Justiça do Ceará aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará contra os irmãos Evangelista Rocha dos Santos, de 34 anos, e Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, acusados de participação na tentativa de feminicídio contra Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos. O crime aconteceu no início deste mês em Quixeramobim.
Com a decisão da 1ª Vara de Quixeramobim, os dois passaram oficialmente à condição de réus. O Ministério Público também pediu indenização de R$ 97 mil pelos danos causados à vítima. O processo tramita em segredo de Justiça.
Segundo as investigações, na noite do crime, Ana Clara discutiu com o companheiro dentro da residência onde o casal morava. Durante a briga, ela teria pedido várias vezes para que Ronivaldo deixasse o imóvel. Minutos depois, ele retornou acompanhado do irmão Evangelista, que carregava uma foice.
De acordo com o Ministério Público, Ronivaldo incentivou o irmão a atacar a jovem. Durante as agressões, Ana Clara teve uma das mãos decepada e a outra parcialmente amputada, além de sofrer ferimentos em diversas partes do corpo. Os ataques só terminaram quando ela perdeu os sentidos e os suspeitos fugiram do local.
A vítima foi socorrida após vizinhos ouvirem pedidos de ajuda e acionarem a polícia e o serviço de emergência. Ana Clara passou por uma cirurgia de aproximadamente 12 horas para o reimplante das mãos e segue internada no Instituto Doutor José Frota.
Desde a internação, ela já foi submetida a três procedimentos cirúrgicos, incluindo a reconstrução de um tendão da perna e a substituição de uma artéria em um dos braços. Nesta semana, iniciou sessões de fisioterapia e terapia ocupacional.
Segundo familiares, a jovem voltou a movimentar gradualmente os dedos e aprendeu a utilizar o celular com os pés durante o período de recuperação. O tratamento é acompanhado por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos e assistentes sociais.
As investigações da Polícia Civil apontam que Ronivaldo apresentava comportamento possessivo em relação à vítima. Conforme o inquérito, os irmãos acreditavam que a violência seria uma forma de impor submissão à jovem.
Evangelista foi preso um dia após o crime em uma residência em Quixeramobim. No local, policiais apreenderam uma foice, roupas e um chinelo com manchas de sangue. Ronivaldo foi localizado posteriormente na casa de familiares, no município de Madalena.
O pai dos acusados, Raimundo Nonato Acioli dos Santos, colaborou com as investigações e indicou possíveis endereços onde os filhos poderiam estar escondidos. Em depoimento, ele afirmou ter recebido mensagens de Ronivaldo dizendo que Evangelista havia matado Ana Clara.
Imagens de câmeras de segurança registraram momentos da discussão entre o casal antes do ataque. Os vídeos mostram Ronivaldo perseguindo Ana Clara na rua e fazendo ameaças. Cerca de 20 minutos depois, ele retorna ao local acompanhado do irmão.
As gravações também mostram Evangelista escalando o muro da residência antes de invadir o imóvel. Segundo a investigação, Ronivaldo incentivava as agressões enquanto o irmão atacava a vítima dentro da casa.
Em depoimento à Polícia Civil, Evangelista confessou participação no crime e afirmou que levou a foice por conta própria. Ele declarou ainda que acreditava que Ana Clara havia morrido após os golpes. Já Ronivaldo disse ter ingerido bebida alcoólica e alegou não se lembrar de grande parte do que aconteceu naquela madrugada.
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