Brasileiros ainda têm R$ 5,8 bilhões esquecidos em bancos

Dados do Banco Central mostram que quase 24 milhões de pessoas físicas possuem recursos disponíveis para resgate. Consulta é gratuita e pode ser feita pela internet.

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

Milhões de brasileiros ainda possuem dinheiro disponível em instituições financeiras sem saber ou sem ter solicitado a devolução. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (13) pelo Banco Central (BC), o montante de recursos esquecidos chegou a R$ 5,79 bilhões em agosto de 2026.

O valor representa um crescimento de 2,6% em comparação com julho, quando havia R$ 5,65 bilhões disponíveis. A consulta pode ser realizada por pessoas físicas e empresas por meio do Sistema Valores a Receber (SVR), disponibilizado pelo Banco Central.

Dos recursos ainda não resgatados, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,48 bilhão correspondem a valores de 2,36 milhões de empresas.

Maioria tem até R$ 10 para receber

Embora o total ultrapasse R$ 5 bilhões, a maior parte dos beneficiários possui quantias pequenas disponíveis para retirada.

Segundo o levantamento, 69,4% dos beneficiários têm até R$ 10 a receber. Outros 18,95% possuem valores entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,39% podem recuperar quantias de R$ 100,01 a R$ 1 mil.

Apenas 2,21% têm direito a valores superiores a R$ 1 mil.

Os bancos concentram a maior parcela do dinheiro esquecido, com R$ 2,46 bilhões, equivalentes a 42,4% do total.

As administradoras de consórcios aparecem em seguida, com R$ 1,97 bilhão. Também há recursos em cooperativas de crédito, instituições de pagamento, financeiras, corretoras e distribuidoras.

Como saber se você tem dinheiro esquecido?

A verificação deve ser realizada exclusivamente no site oficial do Sistema Valores a Receber, do Banco Central.

O serviço permite consultar a existência de recursos vinculados a pessoas físicas, empresas e também a titulares falecidos.

Para pessoas físicas, a consulta inicial exige o CPF e a data de nascimento. Caso existam valores disponíveis, o interessado deverá seguir as orientações apresentadas na plataforma.

Para solicitar o resgate, poderá ser necessário acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, aceitar o termo de responsabilidade e verificar a instituição responsável pela devolução.

Quando houver a opção de recebimento por Pix, o dinheiro poderá ser transferido em até 12 dias úteis.

Quem não possuir chave Pix deverá procurar a instituição financeira indicada para combinar outra forma de pagamento.

Acesse o sistema oficial: https://valoresareceber.bcb.gov.br/

Dinheiro de pessoas falecidas também pode ser consultado

Os valores deixados por titulares falecidos podem ser verificados por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais.

Nessas situações, a solicitação de devolução deverá respeitar as exigências do sistema e da instituição financeira responsável pelos recursos.

O dinheiro disponível pode ter origem em contas encerradas com saldo, cobranças indevidas, consórcios finalizados, cooperativas de crédito e outras operações financeiras.

Banco Central alerta para tentativas de golpe

O serviço de consulta e recuperação de valores é gratuito. O Banco Central orienta a população a desconfiar de mensagens que prometem liberar dinheiro mediante pagamento de taxas.

Também é importante evitar links recebidos por aplicativos de mensagens, e-mails ou SMS que solicitem informações pessoais.

O Banco Central não envia links nem entra em contato para solicitar senhas, códigos de acesso ou confirmar dados relacionados aos valores disponíveis.

A recomendação é utilizar somente o endereço oficial do Sistema Valores a Receber.

Recursos esquecidos foram destinados ao Desenrola 2.0

O crescimento do saldo disponível para resgate ocorre após uma redução relacionada à transferência de recursos para o programa federal de renegociação de dívidas Desenrola 2.0.

Em maio, aproximadamente R$ 5,7 bilhões foram direcionados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), utilizado para oferecer garantias em operações de crédito.

Segundo o governo, 10% do montante transferido permaneceriam separados para atender eventuais solicitações de resgate dos titulares.

A operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que analisa o uso desses recursos em programas federais fora do Orçamento da União.

A apuração envolve questões relacionadas à aplicação das regras fiscais sobre valores utilizados em despesas públicas.