ONG critica uso da FAB no transporte de Nadine Heredia ao Brasil

Transparência Internacional afirma que governo Lula expôs a FAB ao enviar aeronave militar para buscar a ex-primeira-dama do Peru, condenada por corrupção, após concessão de asilo diplomático.

Por Redação-
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A Transparência Internacional criticou o governo brasileiro pelo uso de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) no transporte da ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, para Brasília. A organização afirmou que a operação transformou a FAB em “piloto de fuga” e classificou o episódio como uma desonra para o país.

Condenada a 15 anos de prisão por receber contribuições ilegais da Odebrecht nas campanhas de 2006 e 2011, Heredia deixou Lima em um voo militar brasileiro após receber asilo diplomático. O deslocamento incluiu também um dos filhos e custou R$ 345 mil, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa após solicitação do deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS).

Em nota anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, justificou o asilo alegando razões humanitárias, citando que Heredia havia passado por cirurgia e que estava acompanhada de um menor de idade. Ele defendeu que o uso de aeronave militar era a forma mais segura e rápida de realizar o traslado, conforme a Convenção de Caracas.

Caso volta ao debate no STF

O tema ganhou novo desdobramento após a defesa de Heredia pedir ao Supremo Tribunal Federal a anulação de provas utilizadas em sua condenação no Peru. O ministro Dias Toffoli atendeu ao pedido e invalidou documentos relacionados ao pagamento de subornos pela Odebrecht ao casal Humala-Heredia.

Toffoli também proibiu o governo federal de cooperar com autoridades peruanas no envio dessas provas, decisão que beneficia diretamente a ex-primeira-dama, cujo marido, o ex-presidente Ollanta Humala, cumpre pena no país andino.