O que bebidas zero açúcar realmente fazem no seu corpo
Novo estudo aponta que refrigerantes adoçados artificialmente podem elevar em até 60% o risco de gordura no fígado e reacende debate sobre segurança desses produtos.
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Os refrigerantes zero açúcar são amplamente divulgados como alternativas “mais leves”, já que não possuem calorias e substituem o açúcar por adoçantes artificiais. Porém, pesquisas recentes mostram que essa imagem de bebida inofensiva está cada vez mais distante da realidade.
Durante a Semana Europeia de Gastroenterologia, realizada neste ano, um estudo indicou que o consumo de bebidas adoçadas artificialmente pode elevar em até 60% o risco de desenvolvimento de esteatose hepática, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. Segundo os pesquisadores, alterações metabólicas desencadeadas pelos adoçantes explicam parte dos efeitos observados.
Os autores apontam que esses produtos podem provocar picos de glicose e insulina mesmo sem conter açúcar, gerando mudanças no funcionamento metabólico e favorecendo prejuízos à saúde hepática. A exposição contínua ao sabor doce, mesmo sem calorias, também pode estimular a chamada “compensação calórica”, quando o consumidor acaba comendo mais em outras refeições.
A nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein, Fabiana Rasteiro, reforça que “o fato de não conter açúcar e nem calorias não o transforma em uma bebida saudável e segura”. Ela lembra ainda que essas bebidas não oferecem nutrientes importantes. “Refrigerantes, com ou sem açúcar, não fornecem vitaminas, minerais ou compostos bioativos, e podem substituir itens mais nutritivos na alimentação”, afirma.
Grande parte dos impactos negativos está relacionada diretamente aos adoçantes artificiais. Mesmo sem serem metabolizados, eles podem desencadear respostas fisiológicas, como liberação de insulina, simplesmente pela percepção do gosto doce. A especialista explica que “evidências recentes indicam que esses compostos podem afetar negativamente o metabolismo, alterando a microbiota intestinal e impactando a forma como o corpo gerencia glicose e gordura”.
As orientações de especialistas são claras: o consumo de refrigerantes — sejam zero, diet ou tradicionais — deve ser evitado. O Guia Alimentar para a População Brasileira não define uma quantidade segura de ingestão. Para reduzir o consumo, a recomendação é apostar em reeducação alimentar e diminuir gradualmente a dependência do sabor doce, preferencialmente com acompanhamento profissional.