Volkswagen é acionada por ex-trabalhadores por trabalho análogo à escravidão

Quatro vítimas pedem indenização após relatarem exploração em fazenda da empresa no Pará durante a ditadura

Por Redação-
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Reprodução/Volkswagen Brasil

Ex-trabalhadores que atuaram na Fazenda Vale do Rio Cristalino, no sul do Pará, ingressaram na Justiça do Trabalho pedindo reparação por terem sido submetidos a condições análogas à escravidão entre as décadas de 1970 e 1980. Cada vítima solicita R$ 1 milhão por danos morais e mais R$ 1 milhão por danos existenciais. As ações tramitam na Vara do Trabalho de Redenção e receberam prioridade devido à idade avançada dos sobreviventes.

As ações individuais seguem a condenação já imposta à Volkswagen do Brasil em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que cobra R$ 165 milhões por danos coletivos, além de retratação pública e protocolos permanentes de prevenção. A empresa recorre da decisão.

A fazenda, com cerca de 140 mil hectares, era administrada pela Companhia Vale do Rio Cristalino Agropecuária Comércio e Indústria (CVRC), subsidiária da Volkswagen. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania destaca que, à época, o empreendimento recebeu incentivos fiscais e recursos públicos da ditadura civil-militar, o que reforça a responsabilidade institucional.

A denúncia chegou ao MPT e a parlamentares por meio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que documentou décadas de violações. Segundo relatos, intermediários conhecidos como “gatos” recrutavam trabalhadores com promessas de salário e condições adequadas, mas eles eram submetidos a jornadas exaustivas, violência e alojamentos precários. A atuação na área incluía derrubada de vegetação, formação de pastagens e obras de infraestrutura. A fazenda operou até 1986.

Os movimentos sociais, sindicatos e universidades seguem acompanhando o caso.
As ações individuais agora buscam reconhecimento judicial e reparação pelas violações sofridas.