Correios planejam fechar mil agências e reduzir quadro de funcionários
Plano de reestruturação prevê demissões voluntárias, venda de imóveis e corte de despesas para conter prejuízos acumulados desde 2022, sem comprometer a universalização do serviço postal.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os Correios anunciaram nesta segunda-feira (29) um plano de reestruturação com previsão de fechamento de cerca de mil agências próprias em todo o país e a redução de até 15 mil postos de trabalho, por meio de programas de demissão voluntária. A medida busca conter os déficits financeiros registrados pela estatal nos últimos anos.
O encerramento das unidades representa aproximadamente 16% das cerca de 6 mil agências próprias mantidas atualmente. A expectativa da empresa é de uma economia de R$ 2,1 bilhões apenas com o fechamento desses pontos físicos. Além das unidades próprias, os Correios contam com cerca de 10 mil pontos de atendimento conveniados, que seguem prestando serviços à população.
Segundo o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, a reestruturação não comprometerá o atendimento nacional. Ele afirmou que o processo será conduzido de forma a preservar o princípio da universalização do serviço postal, obrigação legal da empresa pública, mesmo com a redução da estrutura física.
O plano também prevê um corte total de despesas estimado em R$ 5 bilhões até 2028, incluindo a venda de imóveis e a implantação de dois Programas de Demissão Voluntária (PDVs). A meta é reduzir o quadro funcional em até 15 mil empregados até 2027, ajustando a estrutura de custos à realidade financeira da estatal.
Os números mais recentes reforçam o cenário de dificuldade. Em 2025, os Correios acumulam prejuízo de R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses do ano e apresentam patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões, o que motivou a adoção de medidas consideradas estruturais pela direção da empresa.