Presidente do Irã acusa EUA e Israel de terrorismo em discurso na ONU
Masoud Pezeshkian rebateu declarações de Donald Trump, defendeu uma solução diplomática para as questões nucleares e afirmou que não haverá paz no Oriente Médio sem justiça para a Palestina.
Foto: Caitlin OCHS/ Reuters
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, usou seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quarta-feira (23), para rebater críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e fazer acusações contra Washington e Israel.
Pezeshkian afirmou que alterou parte do pronunciamento após ouvir o discurso de Trump, realizado na terça-feira (22). Ao responder às acusações feitas pelo norte-americano, declarou que o Irã é “vítima de terrorismo” e acusou Estados Unidos e Israel de atacarem civis e violarem leis internacionais.
“Eles nos acusam de terrorismo, mas eles são os terroristas, alvejando civis e rompendo leis internacionais. Eles nos atingiram e nós reagimos, mas nós nunca alvejamos civis”, declarou.
Durante o pronunciamento, o presidente iraniano também relacionou a situação da Palestina às perspectivas de estabilidade no Oriente Médio. Segundo Pezeshkian, “nunca haverá paz no Oriente Médio sem justiça para a Palestina”.
Irã defende saída diplomáticaOutro ponto abordado pelo presidente foi o programa nuclear iraniano. Pezeshkian afirmou que o assunto não poderá ser solucionado por meio de uma guerra e defendeu a diplomacia como caminho para as negociações.
“Questões nucleares não serão resolvidas no campo de batalha”, disse.
O presidente também declarou que o Irã não aceitará negociações sob ameaça, embora continue aberto ao diálogo para buscar uma solução para o conflito.
Durante o discurso, a delegação dos Estados Unidos deixou o plenário da Assembleia Geral enquanto Pezeshkian fazia críticas a Washington e Israel.
O líder iraniano ainda exibiu imagens de crianças mortas durante a guerra e uma fotografia de Ali Khamenei, antigo líder supremo do país, morto no primeiro dia dos ataques dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro.
Relação com países vizinhosPezeshkian afirmou ainda que o Irã não considera os países vizinhos do Golfo Pérsico como rivais. Ele também criticou as ações militares envolvendo o Estreito de Ormuz e disse que a ampliação do conflito não levará segurança à região.
O discurso ocorreu um dia depois de representantes dos Estados Unidos e do Irã retomarem conversas sobre uma possível saída para o conflito. Na terça-feira (22), o enviado especial norte-americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, participaram de uma reunião à margem da Assembleia Geral.