SUS identifica quase 10 mil casos de HPV de alto risco no Brasil
Novo exame molecular permite detectar o vírus antes do surgimento de lesões pré-cancerígenas. Tecnologia já está presente em 26 estados e amplia as possibilidades de prevenção do câncer do colo do útero.
Foto: João Risi/MS
O Sistema Único de Saúde (SUS) identificou 9.904 resultados positivos para HPV de alto risco desde o início da utilização do exame molecular DNA-HPV na rede pública. A tecnologia representa uma mudança importante no rastreamento do câncer do colo do útero, ao permitir a identificação do vírus antes do desenvolvimento de alterações celulares que podem evoluir para a doença.
O novo método começou a ser incorporado ao SUS em 2026, substituindo gradualmente o exame de Papanicolau como principal ferramenta de rastreamento. A estratégia segue recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica o teste molecular como uma das principais ferramentas de prevenção.
A identificação do HPV de alto risco não significa que a paciente tenha câncer. O resultado indica a presença de tipos do vírus associados a uma maior possibilidade de desenvolvimento de lesões precursoras, exigindo acompanhamento conforme os protocolos de saúde.
Exame pode antecipar diagnóstico em quase dez anosUma das principais vantagens do DNA-HPV é a capacidade de identificar a presença do vírus antes mesmo de surgirem lesões pré-cancerígenas.
Um estudo conduzido pelo Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com participantes de um programa de rastreamento em Indaiatuba, no interior de São Paulo, apontou uma diferença significativa na idade de detecção do câncer do colo do útero entre os métodos.
Na pesquisa, a média de idade das mulheres com câncer detectado por meio do Papanicolau foi de 49,3 anos. Com o teste molecular DNA-HPV, a média caiu para 39,6 anos, uma diferença de aproximadamente dez anos.
Os resultados indicam o potencial do exame para identificar a doença mais cedo dentro de programas organizados de rastreamento.
Diferentemente do Papanicolau, que procura alterações nas células do colo do útero, o DNA-HPV investiga diretamente a presença de material genético de tipos do vírus associados ao câncer.
Novo rastreamento já chegou a 26 estadosA incorporação do exame molecular está sendo realizada de forma gradual na rede pública de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, 26 estados já adotaram o novo protocolo de rastreamento. O Espírito Santo, que ainda não havia concluído a substituição, tem previsão de receber os testes até o fim de 2026.
A mudança busca melhorar a identificação de mulheres com maior risco de desenvolver alterações no colo do útero e permitir acompanhamento mais direcionado.
Um resultado positivo para HPV de alto risco pode exigir exames complementares ou acompanhamento, dependendo do tipo viral identificado, da idade e dos protocolos aplicáveis.
Por isso, a orientação é que as pacientes não interpretem o resultado isoladamente e procurem avaliação dos profissionais de saúde responsáveis pelo rastreamento.
Brasil pode registrar 19,3 mil novos casos por anoO câncer do colo do útero continua sendo um importante problema de saúde pública no Brasil.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos da doença por ano até 2028.
O tumor está entre os mais frequentes na população feminina brasileira e apresenta forte associação com a infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV.
Embora a infecção pelo vírus seja comum e muitas vezes eliminada naturalmente pelo organismo, alguns casos persistentes podem provocar alterações celulares que, ao longo dos anos, evoluem para lesões precursoras e câncer.
Quando a doença é identificada precocemente e recebe tratamento adequado, as possibilidades de cura são elevadas, podendo superar 95% em determinadas situações de diagnóstico inicial.
Vacinação e exames são fundamentais para a prevençãoA prevenção do câncer do colo do útero envolve duas estratégias complementares: vacinação contra o HPV e realização dos exames de rastreamento recomendados.
A vacina protege contra tipos do vírus responsáveis por grande parte dos casos da doença, enquanto os exames permitem identificar infecções de alto risco e alterações que necessitam de acompanhamento.
Mesmo mulheres vacinadas devem seguir as recomendações de rastreamento para sua faixa etária e condição clínica.
A incorporação do DNA-HPV ao SUS amplia a capacidade de identificar precocemente situações de risco e pode contribuir para reduzir a incidência e a mortalidade pelo câncer do colo do útero nos próximos anos.
O diagnóstico de HPV de alto risco não equivale a um diagnóstico de câncer, mas representa uma oportunidade de acompanhamento e prevenção antes que a doença se desenvolva.