Expansão de pedágios no sul do Piauí gera debate sobre impactos econômicos e sociais
Audiência discute ampliação de pedágios e efeitos diretos na economia e no dia a dia da população.
Divulgação/ALEPI
A ampliação do número de praças de pedágio na rodovia PI-247 foi tema de audiência pública realizada nesta quarta-feira (17) na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). O debate reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes do setor produtivo para discutir os impactos da medida na região de Uruçuí e municípios vizinhos.
O encontro foi proposto pelo deputado Gustavo Neiva (PP), que manifestou preocupação com a ampliação do contrato da Parceria Público-Privada (PPP) da Transcerrado, que passou de cerca de 200 km para mais de 500 km, além do aumento no número de praças de pedágio.
Preocupações com custos.
Durante a audiência, gestores municipais e produtores rurais destacaram o impacto direto das tarifas no custo de vida e na produção agrícola.
O prefeito de Uruçuí, Gilberto Júnior, afirmou que a medida pode encarecer insumos e afetar o deslocamento da população. Já o prefeito de Bertolínia, Rodrigo Martins, citou situações de trabalhadores que precisarão atravessar praças diariamente.
Representantes do agronegócio também apontaram preocupação com o aumento dos custos logísticos, especialmente para produtores da região.
Justificativas do governo.
Representando a Secretaria da Administração do Piauí (Sead), o diretor Demerval Nunes explicou que a ampliação do projeto foi baseada em estudos técnicos e que mecanismos estão sendo avaliados para evitar cobranças duplicadas em trechos próximos.
Segundo ele, algumas praças ainda passam por análise e podem ter ajustes conforme os estudos em andamento.
Debate sobre modelo de concessão.
Parlamentares destacaram que o tema exige equilíbrio entre investimentos em infraestrutura e os impactos para a população.
O deputado Dr. Gil Carlos (PT) ressaltou que modelos de concessão com pedágios já são adotados em outros estados, mas reconheceu a necessidade de garantir tarifas justas.
Próximos passos.
De acordo com o Governo do Estado, os estudos sobre a implantação das novas praças devem ser concluídos até o fim de 2026. A expectativa é que, após essa etapa, sejam apresentadas respostas mais detalhadas sobre tarifas, isenções e funcionamento do sistema na região.