Bancários da Caixa entram em greve e BB tem adesão parcial

Funcionários iniciaram paralisação por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10). No Banco do Brasil, movimento ocorre apenas nas bases sindicais que rejeitaram o acordo da categoria.

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Funcionários da Caixa Econômica Federal entraram em greve nacional por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10), após rejeitarem a proposta para renovação do acordo específico com o banco. No Banco do Brasil, a mobilização é parcial e atinge as bases sindicais que não aprovaram a proposta apresentada à categoria.

Com a paralisação, clientes podem encontrar alterações em serviços que dependem do atendimento nas agências. Aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e outros canais de autoatendimento permanecem como alternativas durante a mobilização.

A greve ocorre após meses de negociações. Na quarta-feira (9), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e entidades sindicais assinaram uma nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), válida para bancários de todo o país.

O acordo estabelece reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescida de aumento real de 0,6% em 2026 e 2027. O reajuste também alcança benefícios como vale-refeição, vale-alimentação, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e auxílios.

Por que os funcionários da Caixa estão em greve?

Apesar da assinatura da convenção geral da categoria, funcionários da Caixa mantêm divergências relacionadas ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico do banco.

Segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta apresentada pela instituição.

Um dos principais pontos de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. Também estão em discussão outros temas negociados desde junho.

Entre eles estão a aplicação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), relacionada à segurança e à saúde no ambiente profissional, o combate a metas de trabalho consideradas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis.

Após a decisão pela greve, a Caixa retomou as negociações e marcou uma nova rodada para esta quinta-feira (10). As entidades sindicais orientaram a manutenção da paralisação até que eventuais avanços sejam novamente analisados em assembleias.

Em nota, a Caixa afirmou que “mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e retornou à mesa de negociação com o objetivo de construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas”.

Banco do Brasil tem paralisação parcial

No Banco do Brasil, a mobilização não ocorre em todo o país.

A paralisação acontece nas bases sindicais que rejeitaram a proposta da categoria. Entre as localidades que não aprovaram a Convenção Coletiva estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.

Outras bases aprovaram o acordo, que já foi assinado.

O Banco do Brasil informou que participa da mesa geral de negociação da Fenaban e também mantém uma mesa específica com as entidades sindicais para discutir questões relacionadas aos funcionários da instituição.

Segundo o banco, foram realizadas várias rodadas de negociação para a data-base de 2026, resultando na proposta submetida às assembleias.

O que muda para os clientes?

Durante a greve, a orientação é priorizar os canais digitais e serviços de autoatendimento.

Clientes da Caixa continuam com acesso ao aplicativo Caixa, Caixa Tem, internet banking, WhatsApp Caixa, caixas eletrônicos, Banco24Horas, casas lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui.

O atendimento telefônico da instituição pode ser feito pelo 4004-0104, nas capitais e regiões metropolitanas, e pelo 0800-104-0104, nas demais localidades.

No Banco do Brasil, permanecem disponíveis aplicativo, Internet Banking, correspondentes bancários, Central de Relacionamento e WhatsApp.

Os números de atendimento são 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-729-0001, para as demais localidades.

A paralisação das agências não suspende, por si só, o pagamento de benefícios. Serviços disponíveis pelos canais digitais e eletrônicos continuam acessíveis. Já os atendimentos que dependem de uma agência podem ser afetados conforme a adesão dos funcionários à mobilização.

Acordo vale até 2028

A nova Convenção Coletiva de Trabalho tem vigência até 31 de agosto de 2028 e abrange cerca de 414 mil bancários de aproximadamente 3,6 mil municípios. Ao todo, 171 bancos integram a convenção, assinada por 245 entidades sindicais.

Além dos reajustes, o acordo prevê medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio, direito à desconexão fora do horário de trabalho e regras de transparência e limites para o monitoramento digital dos funcionários.

Também está prevista a criação de um programa de qualificação e recolocação profissional e mudanças na indenização destinada a trabalhadores de bancos privados demitidos em decorrência do fechamento de agências.