Trump questiona eleição brasileira sem provas e elogia Lula

Presidente dos Estados Unidos levantou suspeitas sobre a votação que reelegeu Lula, mas não apresentou indícios de fraude. Declarações ocorreram após a Justiça Eleitoral confirmar o resultado do segundo turno.

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Foto: Alex Wong/Getty Images via AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em dúvida a eleição presidencial brasileira nesta segunda-feira (26), um dia após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar de afirmar que mantém uma boa relação com o presidente reeleito, o republicano sugeriu que o processo eleitoral apresentou irregularidades, sem apresentar provas que sustentassem a suspeita.

As declarações foram feitas durante uma conversa com jornalistas. Trump criticou especialmente a decisão judicial que permitiu a continuidade da votação em determinadas seções eleitorais após o horário inicialmente previsto para o encerramento.

“Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, afirmou o presidente americano. Em seguida, acrescentou que o processo lhe pareceu inadequado.

Ao comentar sua relação com o chefe do Executivo brasileiro, Trump declarou que gosta de Lula e mantém um bom relacionamento com ele, embora considere a prorrogação da votação uma medida incomum.

Lula venceu com 51,79% dos votos válidos

O resultado oficial do segundo turno, realizado no domingo (25), confirmou a reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 48,21%.

A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

A vitória foi confirmada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, ainda na noite de domingo.

Até o momento das declarações de Trump, não haviam sido apresentadas evidências que demonstrassem fraude na apuração ou alteração indevida do resultado eleitoral.

Por que o horário de votação foi prorrogado?

Um dos principais pontos questionados pelo presidente americano foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a continuidade da votação até as 19h, no horário de Brasília, em seções que ainda estavam em funcionamento.

A medida ocorreu após relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação, incluindo problemas no transporte público e situações relacionadas às condições climáticas.

As duas campanhas apresentaram solicitações envolvendo a ampliação do horário. A equipe de Lula relatou dificuldades de deslocamento em diferentes estados, enquanto a de Flávio Bolsonaro apontou problemas em municípios atingidos por fortes chuvas.

A determinação não autorizou a reabertura de seções eleitorais que já haviam encerrado suas atividades. A extensão foi aplicada apenas aos locais que permaneciam abertos quando a decisão foi tomada.

Segundo o TSE, aproximadamente 35 mil eleitores votaram depois das 17h, número inferior à diferença de votos registrada entre os candidatos.

Flávio Bolsonaro também contestou a decisão

Após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro questionou a ampliação do horário de votação e anunciou inicialmente a intenção de recorrer à Justiça para pedir a anulação da eleição.

O senador alegou que a medida teria modificado as condições da disputa durante o próprio dia da votação. Também apresentou questionamentos sobre a fiscalização da apuração.

As alegações, entretanto, não constituem, por si só, comprovação de irregularidade eleitoral. O resultado divulgado pela Justiça Eleitoral permaneceu confirmado.

Declarações ocorrem em meio a tensões diplomáticas

A manifestação de Trump acontece em um contexto de divergências entre os governos brasileiro e americano, especialmente em questões comerciais e em decisões envolvendo autoridades brasileiras.

Ao longo de 2025 e 2026, a relação bilateral foi marcada por medidas tarifárias, sanções e críticas públicas relacionadas a processos judiciais no Brasil.

Apesar dessas diferenças, o presidente americano afirmou que mantém uma relação positiva com Lula.

As declarações desta segunda-feira acrescentam um novo episódio às discussões diplomáticas entre os dois países, agora relacionadas ao resultado da eleição presidencial brasileira.