China prende mais de 30 líderes cristãos em nova onda de repressão religiosa

Entre os detidos está Jin Mingri, fundador da Zion Church, uma das maiores igrejas domésticas do país; governo dos EUA condena as prisões e pede libertação dos fiéis.

Por Redação Nx Notícias-
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China prende mais de 30 líderes cristãos em nova onda de repressão religiosa
Reprodução/X

O governo da China realizou, no último sábado (11), uma operação policial que resultou na prisão de mais de 30 líderes cristãos ligados a igrejas domésticas, comunidades religiosas que funcionam fora do controle estatal. Entre os detidos está Jin Mingri, fundador da Zion Church, considerada uma das maiores congregações cristãs independentes do país. As informações são da organização ChinaAid, sediada nos Estados Unidos.

As detenções ocorreram em diferentes cidades e foram classificadas por grupos de direitos humanos como a maior repressão coordenada contra cristãos em mais de quatro décadas. O Partido Comunista Chinês (PCC), que promove o ateísmo e controla rigidamente as práticas religiosas, exige que os fiéis participem apenas de igrejas autorizadas e supervisionadas pelo governo.

Em comunicado, a Zion Church afirmou que as prisões configuram “uma perseguição sistemática” e “um desafio público à comunidade internacional”. Ainda não há confirmação sobre eventuais acusações formais contra os líderes detidos.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, condenou a ação. Essa repressão demonstra a hostilidade do Partido Comunista Chinês contra cristãos que rejeitam a interferência do Partido em sua fé e optam por cultuar em igrejas domésticas não registradas”, declarou.

Os ex-dirigentes Mike Pence e Mike Pompeo também se manifestaram nas redes sociais, criticando o aumento da repressão religiosa sob o governo de Xi Jinping.

Fundada em 2007, a Zion Church começou com 20 membros e cresceu para 10 mil fiéis em 40 cidades chinesas. Em 2018, foi proibida oficialmente após recusar a instalação de câmeras de vigilância em seu templo, mas continuou atuando de forma descentralizada e online.

Jin Mingri, formado pela Universidade de Pequim e com doutorado no Fuller Theological Seminary (EUA), é uma figura influente no cristianismo chinês e foi participante dos protestos da Praça Tiananmen em 1989. Sua esposa, Liu Chunli, disse estar “em choque e profundamente triste” com a prisão do marido.

De acordo com o pastor Sean Long, representante da Zion Church nos EUA, mais de 30 pastores e funcionários foram presos ou estão desaparecidos. Há relatos de violência policial e de mães separadas de seus filhos durante as prisões. “Eles não são criminosos nem inimigos da China. São cristãos que amam seu país e sua cultura”, afirmou Long, pedindo apoio internacional.

Sob o comando de Xi Jinping, o Partido Comunista reforçou a chamada “sinização” da religião, exigindo que as igrejas promovam lealdade ao Estado e aos “valores socialistas”. Apesar disso, as igrejas domésticas seguem crescendo e reúnem milhões de fiéis que preferem praticar sua fé fora do sistema controlado pelo governo.


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