O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ampliar, ainda em 2026, as opções de prevenção ao HIV com a incorporação do cabotegravir de ação prolongada, medicamento injetável utilizado como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). A proposta foi encaminhada pelo Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que deverá analisar o pedido nas próximas semanas.
Se aprovado, o medicamento será disponibilizado para pessoas que não vivem com HIV, mas apresentam maior risco de exposição ao vírus, funcionando como uma alternativa à PrEP oral, que exige o uso diário de comprimidos.
Comercializado no Brasil desde 2023 com o nome Apretude, o cabotegravir é um antirretroviral administrado por injeção intramuscular. Após as doses iniciais, a aplicação passa a ser realizada a cada dois meses, mantendo a proteção contra a infecção pelo HIV durante esse período.
Antes do início do tratamento, o paciente deve realizar exames para confirmar que não está infectado pelo vírus. O acompanhamento médico também permanece necessário durante todo o uso da medicação.
Especialistas ressaltam que a PrEP injetável não substitui o uso de preservativos nem protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e hepatites virais. Por isso, ela integra a chamada prevenção combinada, que inclui testagem regular, acompanhamento em serviços de saúde e outras medidas de proteção.
Dados do estudo ImPrEP CAB Brasil, que acompanhou 1.447 participantes em seis cidades brasileiras, mostraram que 83% dos voluntários escolheram a versão injetável da PrEP, enquanto 17% optaram pelo medicamento oral.
Durante a pesquisa, 94% das aplicações foram realizadas dentro do prazo recomendado e nenhum participante que utilizou o cabotegravir contraiu HIV durante o período de acompanhamento.
A fabricante também informou que estudos envolvendo quase 4 mil participantes indicaram eficácia superior a 99% na prevenção da infecção pelo vírus.
O Ministério da Saúde informou que a possível incorporação do cabotegravir não substituirá a PrEP oral, que continuará sendo oferecida gratuitamente pelo SUS.
Segundo a pasta, o objetivo é ampliar as alternativas de prevenção para que profissionais de saúde e usuários possam definir a estratégia mais adequada a cada caso. Desde que passou a ser disponibilizada na rede pública, mais de 356 mil pessoas já iniciaram o uso da PrEP oral no país.
Outro medicamento analisado pelo governo foi o lenacapavir, aplicado apenas duas vezes por ano. Apesar de ser considerado um avanço importante na prevenção do HIV e recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025, o Ministério da Saúde informou que o preço apresentado pela fabricante inviabilizou sua aquisição em larga escala para o SUS.
O governo afirma que as negociações continuam, mas ainda não há acordo para incorporar o medicamento ao sistema público.
Agora, a decisão sobre a inclusão do cabotegravir depende da análise técnica da Conitec e da aprovação final do Ministério da Saúde. Somente após essa etapa serão definidos o público prioritário e o cronograma de disponibilização do medicamento na rede pública.