Vicaricídio vira crime hediondo e pode dar até 40 anos

Projeto aprovado no Senado endurece punições e inclui o crime na Lei dos Crimes Hediondos, com aumento de pena em situações específicas.

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Vicaricídio vira crime hediondo e pode dar até 40 anos
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (25), um projeto de lei que tipifica o crime de vicaricídio no ordenamento jurídico brasileiro e endurece as penas para esse tipo de violência. A proposta agora segue para sanção presidencial.

O vicaricídio ocorre quando o agressor mata filhos, familiares ou pessoas próximas com o objetivo de atingir emocionalmente a mulher, geralmente em contexto de violência doméstica. A prática tem sido associada a casos extremos de controle, punição e sofrimento psicológico.

A nova legislação altera a Lei Maria da Penha, o Código Penal e a Lei dos Crimes Hediondos, passando a classificar o vicaricídio como crime hediondo. Com isso, a pena prevista será de 20 a 40 anos de reclusão, além de multa.

De acordo com o texto aprovado, o crime consiste em “matar descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher, com o fim específico de causar-lhe sofrimento, punição ou controle”.

A pena poderá ser aumentada em até um terço em situações agravantes, como quando o crime for praticado na presença da mulher, quando a vítima for criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência, ou ainda em casos de descumprimento de medida protetiva de urgência.

O tema ganhou repercussão nacional após um caso ocorrido em Itumbiara, no interior de Goiás. Em fevereiro, um homem matou os próprios filhos dentro de casa antes de tirar a própria vida. Segundo informações divulgadas, ele teria cometido o crime em meio a uma crise conjugal.

Especialistas apontam que o vicaricídio é uma das formas mais extremas de violência de gênero, pois utiliza terceiros, muitas vezes os próprios filhos, como instrumento de sofrimento contra a mulher.


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