Doméstica é resgatada após quase 50 anos em situação análoga à escravidão
Mulher vivia sob jornada exaustiva, isolamento e sem autonomia desde a infância.
Divulgação
Uma trabalhadora doméstica de 62 anos foi resgatada após viver por 49 anos em condições análogas à escravidão em Bragança Paulista, no interior de São Paulo.
A ação foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), após denúncias registradas em sistema oficial.
Exploração desde a infância.
Segundo a fiscalização, a vítima começou a trabalhar aos 12 anos, quando foi retirada da escola e permaneceu analfabeta.
Desde então, dedicou-se exclusivamente às atividades domésticas, sem direito a descanso, férias ou folgas semanais.
Sem salário e sem autonomia.
Apesar de ter tido a carteira assinada por um período, a mulher não tinha controle sobre seus rendimentos.
Após se aposentar, em 2015, deixou de receber qualquer pagamento, mas continuou trabalhando diariamente.
Isolamento e pressão psicológica.
O caso também envolve isolamento social extremo e dependência emocional.
De acordo com os auditores, a trabalhadora acreditava que a empregadora poderia morrer caso ela deixasse a casa, o que reforçou a permanência na situação de exploração.
Além disso, ela não tinha vida social, não constituiu família e mantinha contato mínimo com parentes.
Resgate e indenização.
Após o resgate, foi determinado o afastamento imediato da vítima.
Os valores devidos ultrapassam R$ 1,7 milhão, incluindo salários atrasados e indenização por danos morais.
O pagamento ainda está sendo negociado com a família responsável.
Como denunciar.
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima por meio do Sistema Ipê, do Governo Federal. https://ipe.sit.trabalho.gov.br .