Operação Cripto Car bloqueia R$ 3,4 milhões em bitcoins e desmonta quadrilha interestadual

Ação integrada do MJSP com as Polícias Civis de Goiás e São Paulo mira grupo especializado em golpes digitais e lavagem por criptoativos

Por Redação-
3 Min

Operação Cripto Car bloqueia R$ 3,4 milhões em bitcoins e desmonta quadrilha interestadual
Foto: PCGO

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) coordenou, nesta quarta-feira (10), a Operação Cripto Car, realizada em parceria com as Polícias Civis de Goiás (PCGO) e de São Paulo (PCSP). A ofensiva desarticulou uma organização criminosa que utilizava fraudes eletrônicas e conversões em criptoativos para lavar dinheiro em diversos estados.

A operação cumpriu 26 medidas judiciais, sendo dez prisões temporárias e 16 mandados de busca e apreensão nas cidades de Guarujá, Mauá, Santo André e São Paulo. As equipes também bloquearam R$ 3.399.247,63 em bitcoins, valor equivalente a cerca de 5,85 BTC, destinado ao ressarcimento das vítimas e à descapitalização da quadrilha.

As ações foram conduzidas pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF/Deic-PCGO), com apoio técnico da Coordenação-Geral de Combate a Crimes Cibernéticos (CGCiber/CiberLAB) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi/Senasp/MJSP).

“A Operação Cripto Car é um exemplo da atuação estratégica e coordenada entre os entes federativos no combate ao crime organizado digital. O uso de inteligência e de tecnologia permitiu rastrear fluxos financeiros ilícitos, promovendo uma resposta efetiva às fraudes eletrônicas e à lavagem por meio de ativos virtuais”, afirmou Rodney da Silva, diretor de Operações Integradas e de Inteligência.

A investigação teve início após a venda fraudulenta de uma Mercedes CLA45 AMG, anunciada em uma plataforma digital, que gerou prejuízo de R$ 530 mil a uma vítima. Ao aprofundar o caso, os policiais identificaram uma rede criminosa com vítimas em pelo menos oito estados, como Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O grupo utilizava engenharia social, identidades falsas e documentos adulterados para simular negociações legítimas. Os golpistas fingiam atuar em nome de concessionárias e empresas multinacionais, utilizando números de telefone compatíveis com a região das vítimas para passar credibilidade.

As vítimas eram induzidas a transferir valores para intermediadoras financeiras vinculadas a exchanges de criptoativos. Em seguida, o dinheiro era convertido rapidamente em bitcoin e pulverizado em diversas carteiras digitais.

Lavagem estruturada e movimentação milionária

Com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD/PCGO), os investigadores identificaram que a quadrilha utilizava documentos das próprias vítimas, digitalmente alterados, para abrir contas fraudulentas em exchanges e burlar procedimentos de verificação de identidade (KYC).

Os valores movimentados eram fragmentados, enviados para carteiras privadas e reconvertidos em reais por meio de empresas OTC e doleiros. Uma das empresas analisadas movimentou R$ 56,9 milhões em seis meses.

A organização era dividida em três núcleos:

Financeiro/Operacional – controlava as carteiras e comandava as fraudes.
Lavagem – formado por doleiros e empresas responsáveis pela movimentação dos valores.
Fornecedores de Identidade – cediam fotos para abertura ilegal de contas.

Punições previstas

Os investigados devem responder por:

• Estelionato eletrônico (art. 171, §2º-A do Código Penal)

• Associação criminosa (art. 288)

• Lavagem de capitais (Lei nº 9.613/1998)

As penas combinadas podem superar 21 anos de prisão, além de multa.


Notícias Relacionadas »