A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta sexta-feira (6), a advogada argentina Agostina Paez, investigada e indiciada pelo crime de injúria racial. A prisão ocorreu no bairro de Vargem Pequena, na zona oeste da capital fluminense, em cumprimento a mandado expedido pela Justiça.
O caso teve início em 14 de janeiro, após um episódio registrado em um bar de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Conforme apuração policial, a investigada teria dirigido expressões ofensivas de cunho racial a funcionários do estabelecimento durante um desentendimento relacionado ao pagamento da conta.
Segundo os autos, a mulher utilizou o termo “mono”, palavra em espanhol que significa macaco, além de realizar gestos e sons associados ao animal direcionados a um trabalhador. A conduta foi gravada pela própria vítima e posteriormente confirmada por imagens do circuito interno de segurança do local.
A investigação foi conduzida por agentes da 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha), que ouviram testemunhas e reuniram provas consideradas suficientes para o indiciamento. Antes da prisão, a Justiça do Rio de Janeiro, a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, havia imposto medidas cautelares, como retenção do passaporte, proibição de deixar o país e uso de tornozeleira eletrônica.
Na véspera da prisão, a investigada publicou um vídeo em rede social afirmando que havia sido notificada sobre a ordem judicial e declarou estar à disposição das autoridades. “Estou desesperada, estou com muito medo”, afirmou. Em depoimento, ela alegou que os gestos teriam sido brincadeiras, versão que não foi aceita pela investigação.
O crime de injúria racial, tipificado no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/1989, prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.