O estado de São Paulo registrou 27 feminicídios em janeiro, o maior número para o mês desde o início da série histórica da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). O total representa quase uma mulher morta por dia no período.
Os dados oficiais mostram crescimento gradual ao longo dos anos. Desde 2018, quando o crime passou a ser contabilizado separadamente nas estatísticas, os números de janeiro foram:
2018: 5
2019: 14
2020: 11
2021: 10
2022: 20
2023: 18
2024: 25
2025: 22
2026: 27
Em 2024, o estado já havia superado o recorde anual de feminicídios desde o início da contabilização específica do crime.
Entre os episódios registrados nas últimas semanas está o assassinato de Cibelle Monteiro Alves, morta a facadas pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma joalheria de um shopping em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
No domingo (1º), um homem foi preso suspeito de matar a ex-mulher por asfixia após uma discussão sobre partilha de bens em um motel em Sapopemba, na Zona Leste da capital.
Segundo a SSP-SP, a maioria das vítimas de feminicídio registradas recentemente na Grande São Paulo e no interior já possuía medidas protetivas contra os agressores.
Dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) apontam que os pedidos de medidas protetivas saltaram de 10.804, em 2015, para 118.258 em 2025 — aumento de 994% em dez anos.
Apenas nos dois últimos anos, foram 221.777 solicitações em todo o estado.
Mesmo com o crescimento das medidas judiciais de proteção, o feminicídio segue como um dos principais desafios no enfrentamento à violência contra a mulher em São Paulo e no Brasil.