O deputado federal cassado Chiquinho Brazão, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, voltou a ser alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF). Nesta quinta-feira (9), os agentes deflagraram a Operação Emendatio, que apura um suposto esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares federais.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e mobilizou cerca de 60 policiais federais para cumprir dois mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão, todos no município do Rio de Janeiro. A decisão judicial também determinou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
Entre os presos estão Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor de Domingos Brazão, e Robson Calixto Fonseca. Domingos Brazão e Robson também foram condenados no processo que investigou o assassinato de Marielle Franco.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação aponta que verbas oriundas de emendas parlamentares eram direcionadas a organizações da sociedade civil (OSCs) que mantinham contratos com órgãos da administração pública federal. Parte desses recursos, segundo os investigadores, teria sido desviada por meio de empresas de fachada, pessoas interpostas e pagamentos considerados irregulares.
Ainda conforme a PF, também há indícios de superfaturamento de contratos, combinação entre empresas participantes de processos de cotação de preços e possível execução parcial ou inexistente de serviços contratados.
As diligências têm como objetivo ampliar a produção de provas, identificar outros possíveis envolvidos, rastrear o destino dos recursos públicos e recuperar valores que possam ter sido desviados.
Os investigados poderão responder por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Chiquinho Brazão teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados, em abril de 2025, em razão de sua condenação no caso que apurou o assassinato da vereadora Marielle Franco.