O sinal foi descrito em 1973 pelo pneumologista americano Sanders T. Frank. Ele consiste em uma prega diagonal que atravessa o lóbulo da orelha. Pesquisas observaram associação entre essa marca e a presença de doença coronariana, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias do coração, o que pode reduzir o fluxo sanguíneo e levar ao infarto.
A dobra pode ser discreta ou mais profunda. Em casos mais evidentes, o lóbulo parece dividido em duas partes. Estudos que compararam o sinal com exames como o cateterismo apontaram correlação estatística entre a prega e obstruções nas artérias coronárias.
Especialistas explicam que o sinal está relacionado principalmente à aterosclerose, doença inflamatória causada pelo acúmulo de gordura nas paredes das artérias. Essa condição pode resultar em infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença vascular periférica.
Apesar disso, médicos reforçam que o sinal isolado não confirma doença cardíaca e não deve gerar pânico. Ele precisa ser analisado junto a fatores como histórico familiar, colesterol elevado, diabetes, tabagismo e sedentarismo.
Além do sinal de Frank, existe a prega anterotragal, localizada na região do tragus, pequena saliência próxima ao rosto. A presença combinada das duas pregas pode aumentar a suspeita de doença coronariana.
Outros sinais observados na prática clínica são os xantelasmas e os xantomas.
Os xantelasmas são placas amareladas que surgem nas pálpebras e costumam estar ligados a alterações no colesterol. Um estudo publicado em 2011 no British Medical Journal apontou que pessoas com xantelasmas apresentaram risco até 48% maior de sofrer infarto.
Já os xantomas são depósitos de gordura que aparecem em tendões e em regiões como dedos, calcanhares e pés. Podem causar dor e inchaço e estão associados a distúrbios metabólicos que favorecem a aterosclerose.
Assim como ocorre com as pregas na orelha, esses sinais não determinam que a pessoa terá um infarto, mas indicam a necessidade de avaliação médica.
Esses achados fazem parte da avaliação clínica e costumam ser observados durante a anamnese, quando o médico investiga histórico de saúde, sintomas, uso de medicamentos, antecedentes familiares e hábitos de vida.
A identificação de sinais físicos associados a fatores de risco permite indicar exames complementares e orientar medidas preventivas.
O principal caminho para reduzir o risco de infarto segue sendo a prevenção: controle do colesterol, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e acompanhamento médico periódico.
Mais do que prever um evento cardíaco, esses sinais funcionam como oportunidades de intervenção precoce.