Inflação sobe e mercado já prevê meta estourada em 2026

Boletim Focus aponta quinta alta seguida do IPCA, pressionado por guerra, combustíveis e alimentos; projeção já supera teto da meta

Por
2 Min

Inflação sobe e mercado já prevê meta estourada em 2026
Reprodução

A inflação projetada para 2026 voltou a subir e já supera o limite definido pela política monetária brasileira. Dados do boletim Focus, divulgados pelo Banco Central do Brasil, mostram que a estimativa do IPCA avançou para 4,71%, acima do teto de 4,5%.

O movimento marca a quinta revisão consecutiva para cima e reforça o cenário de pressão sobre os preços. O principal fator apontado pelos analistas é a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio.

Esse novo contexto alterou projeções que, até então, indicavam inflação mais controlada. Antes do agravamento do conflito, havia expectativa de índices abaixo de 4%, com o próprio Banco Central trabalhando com 3,9% para o período.

Os dados mais recentes reforçam a tendência de alta. Em março, o IPCA registrou 0,88%, acima do esperado, acumulando 4,14% em 12 meses. Os maiores impactos vieram dos grupos de transporte e de alimentação, que juntos concentraram a maior parte da variação.

O resultado chama atenção porque o período costuma apresentar desaceleração inflacionária. Desta vez, porém, o cenário externo pressionou custos e inverteu o comportamento tradicional dos preços.

Com a nova projeção, o mercado já considera provável o rompimento da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que estabelece centro de 3% com margem de 1,5 ponto percentual.

As expectativas indicam ainda que a inflação pode permanecer acima do limite por vários meses consecutivos. Pelo regime de meta contínua, em vigor desde 2025, esse cenário pode caracterizar descumprimento formal da meta.

Instituições financeiras passaram a rever seus cenários. O C6 Bank projeta inflação de 4,8%, enquanto a XP Investimentos trabalha com a possibilidade de índices acima de 5%.

Outras gestoras, como ASA Investments e AZ Quest, também indicam novas revisões para cima.

Para os anos seguintes, o cenário permanece relativamente estável. A projeção para 2027 subiu levemente para 3,91%, enquanto 2028 segue em 3,6%.

O  boletim Focus também aponta manutenção de juros elevados, com a taxa Selic estimada em 12,5% ao ano. O dólar deve ficar em R$ 5,37 e o crescimento do PIB é projetado em 1,85%.

 


Tags »
Notícias Relacionadas »