A Receita Federal afirmou que continuará ampliando o uso de inteligência de dados, análise de risco e cooperação internacional para fortalecer o combate ao narcotráfico e ao comércio ilegal de madeira nas fronteiras brasileiras.
Em balanço divulgado nesta semana, o órgão destacou operações realizadas entre 2025 e 2026, que resultaram em grandes apreensões de drogas e cargas irregulares destinadas ao mercado internacional.
Entre os casos citados está a apreensão de 75 toneladas de madeira da espécie ipê, no Porto de Pecém (CE), em 2025. A carga seria exportada para os Estados Unidos e foi retida após a identificação de irregularidades relacionadas às exigências da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES).
No mesmo ano, a Receita Federal também interceptou:
Já em março de 2026, foram apreendidos 226 quilos de cocaína escondidos em um contêiner de madeira no Porto de Paranaguá, cuja carga seguiria para a Itália.
Segundo a Receita Federal, organizações criminosas têm adotado métodos cada vez mais sofisticados para ocultar entorpecentes, utilizando cargas de madeira, papel, móveis, bebidas e outras mercadorias.
O órgão destacou ainda o monitoramento da chamada "cocaína negra", mistura da droga com carvão ativado e outros agentes químicos para dificultar a identificação por cães farejadores e testes rápidos, além da cocaína líquida, dissolvida em solventes ou água.
A Receita também ressaltou a Operação Timber Shield, desenvolvida em parceria com autoridades dos Estados Unidos, Bolívia e Chile, voltada ao compartilhamento de informações para identificar cargas suspeitas de madeira utilizadas pelo narcotráfico.
Durante uma das ações, testes preliminares indicaram possível presença de entorpecentes em carregamentos de madeira. No entanto, perícias posteriores da Polícia Federal concluíram que parte das amostras analisadas não continha drogas, enquanto outras investigações seguem em andamento.
A Receita Federal afirmou que a adoção de medidas preventivas e o compartilhamento de informações de inteligência são essenciais para impedir que organizações criminosas utilizem as cadeias logísticas do comércio exterior.
O órgão também reforçou que não divulga detalhes sobre técnicas de fiscalização e gestão de risco para preservar a eficácia das operações e garantir a continuidade das investigações conduzidas em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.