As chuvas que começaram a atingir o Piauí no início da semana chegaram a Teresina na noite de quarta-feira (28), provocando alagamentos e acúmulo de água em vias públicas. Uma estação de monitoramento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), instalada na capital, registrou 45,8 milímetros de precipitação em 24 horas, o maior volume entre os pontos monitorados no levantamento divulgado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).
A previsão indica que as condições para novas chuvas devem permanecer até sexta-feira (30), principalmente em áreas dos territórios Entre Rios e Vale dos Rios Piauí e Itaueira.
Segundo a Semarh, as precipitações começaram na segunda-feira (26), inicialmente nas regiões sudoeste e sudeste, e avançaram para municípios do centro-norte e norte do estado ao longo da semana.
O levantamento da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (Sampece), vinculada à Semarh, aponta que a capital concentrou o maior volume de chuva registrado nas últimas 24 horas.
A estação da ANA com maior acumulado marcou 45,8 milímetros. Outros equipamentos instalados em Teresina apresentaram índices menores, como 12,7 milímetros em uma estação da Semarh, 8,4 milímetros em outro ponto da ANA e 6,8 milímetros em uma estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A diferença entre os registros mostra que a intensidade da chuva variou conforme a localização dos equipamentos de medição.
Na noite de quarta-feira, a precipitação provocou pontos de alagamento e acúmulo de água nas ruas da cidade.
De acordo com a Sampece, a impermeabilização do solo e as limitações dos sistemas de drenagem em determinadas áreas urbanas contribuem para o acúmulo de água durante episódios de chuva intensa.
Além de Teresina, outros municípios piauienses registraram precipitações nas últimas 24 horas.
Entre os maiores acumulados fora da capital estão Tanque do Piauí, com 12,5 milímetros; Palmeirais, com 12,4 milímetros; e Cristino Castro, com 8,6 milímetros.
Também foram registrados volumes de 5,8 milímetros em Santa Filomena, 5,1 milímetros em Piripiri e 5 milímetros em Caraúbas do Piauí.
Em outras localidades, como Picos, São Raimundo Nonato, Oeiras e Esperantina, os índices foram menores, mas confirmam a presença das chuvas em diferentes áreas do estado.
Os dados são provenientes de estações da ANA, da Semarh e do Inmet, que monitoram as condições meteorológicas em pontos distintos do território piauiense.
Segundo o climatologista Pedro Aderaldo, da Semarh, a ocorrência das chuvas está relacionada à combinação de diferentes sistemas atmosféricos.
Nas regiões norte e centro-norte, as condições favorecem a formação de instabilidades, com possibilidade de influência de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN).
Esse fenômeno atmosférico ocorre em níveis elevados da atmosfera e, dependendo de sua posição e das condições de umidade, pode favorecer a formação de nuvens carregadas e precipitações em determinadas áreas.
Já no sudoeste e sudeste do Piauí, as chuvas estão associadas à entrada de umidade proveniente da Amazônia e à influência de sistemas frontais que avançam sobre a Bahia.
A interação desses fatores contribui para a distribuição das precipitações por diferentes regiões piauienses.
A Sampece prevê a possibilidade de novas precipitações até sexta-feira (30), com maior atenção para os territórios Entre Rios e Vale dos Rios Piauí e Itaueira.
A previsão não significa que todos os municípios dessas regiões terão chuva contínua. Os volumes e a intensidade podem variar conforme as condições atmosféricas locais.
A Semarh informou que continuará acompanhando a evolução dos sistemas meteorológicos e atualizando as informações conforme os dados registrados pelas estações de monitoramento.
Em Teresina, a ocorrência de alagamentos reforça a necessidade de atenção durante novos episódios de chuva, especialmente em vias com histórico de acúmulo de água.
Motoristas e pedestres devem evitar atravessar trechos inundados e acompanhar os comunicados dos órgãos de meteorologia e de proteção e defesa civil.