A Comissão de Fiscalização e Controle, Finanças e Tributação (CFCFT) da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) realizou, nesta quarta-feira (22), uma audiência pública para discutir o balanço financeiro do segundo quadrimestre do Governo do Estado. O encontro contou com a presença do secretário de Fazenda, Emílio Júnior, que foi questionado pelos parlamentares sobre o crescimento da dívida pública.
O presidente da comissão, deputado Franzé Silva (PT), abriu o debate destacando a importância de avaliar o impacto dos empréstimos contratados pelo Executivo. Em resposta, Emílio Júnior explicou que a elevação da dívida está ligada ao aumento da taxa Selic e que o governo tem buscado renegociar operações de crédito com bancos nacionais e internacionais.
“Há uma preocupação na Comissão de Gestão Financeira. A gente tem trabalhado renegociando algumas operações de crédito. Utilizado, por exemplo, do Banco do Brasil, que tem operação entre 10 e 11 anos, fazendo um alongamento dessas operações, e até aguardando que, com esse longo prazo, que a taxa de juros possa cair. A gente está renegociando com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e com o Banco Mundial, justamente para tentar trazer uma taxa de juros, mesmo sendo dolarizado, ou fazendo uma opção até pelo iene, para que a gente tenha um custo delas menor”, explicou o secretário.
O deputado Gustavo Neiva (Progressistas) demonstrou preocupação com o cenário. Segundo ele, o alto nível de juros reduz a capacidade de pagamento do Estado. “Em um momento de taxa de juros elevadíssima que passa o país, o estado está perdendo a capacidade de pagamento, tanto é que está procurando alongar esse prazo. Isso, sem dúvida nenhuma, compromete várias e várias gerações, vários e vários governos que vão ter que pagar empréstimos que foram contraídos agora”, avaliou.
Mesmo com o aumento do endividamento, Emílio Júnior afirmou que o Piauí ainda mantém capacidade de contrair novos empréstimos. Dados apresentados mostram que a dívida consolidada líquida subiu de 50,76% para 61% entre o segundo quadrimestre de 2024 e o mesmo período de 2025.