Os Correios enfrentam uma das maiores crises financeiras de sua história, com previsão de um déficit de até R$ 10 bilhões apenas em 2025. No centro do problema está o Postal Saúde, plano de assistência médica destinado a funcionários, aposentados e dependentes, que se tornou o principal fator de desequilíbrio das contas da estatal.
Dados internos indicam que a empresa precisa injetar cerca de R$ 700 milhões a cada três meses para impedir o colapso do plano. O valor corresponde a recursos públicos destinados a cobrir um déficit que já avançou 80% em relação a 2024. Atualmente, cerca de 203 mil aposentados estão entre os beneficiários.
O envelhecimento do perfil dos usuários aumenta o desequilíbrio. Segundo fontes dos Correios, 25% dos aposentados atendidos têm mais de 59 anos, faixa etária que demanda cuidados mais frequentes e de maior custo, o que reduz a sustentabilidade financeira do Postal Saúde.
As despesas anuais do plano já alcançam aproximadamente R$ 2 bilhões, cifra que representa 10% de todo o faturamento da estatal. Para dirigentes internos, esse peso financeiro coloca a empresa em uma rota de risco.
A origem da crise é atribuída a acordos firmados por antigas gestões influenciadas por sindicatos ligados ao PT. Segundo fontes, esses compromissos foram assumidos sem considerar a capacidade real de pagamento da estatal, criando uma “bomba-relógio” que agora ameaça explodir.
A pressão aumentou após o atraso nos repasses do Postal Saúde levar importantes redes hospitalares, como Rede D’Or e Unimed, a suspender temporariamente o atendimento aos beneficiários. O corte escancara a fragilidade do plano e reforça a necessidade de uma solução urgente.a