Nascimento raro em Noronha reacende debate sobre proibição de partos na ilha

Falta de maternidade e de UTI faz gestantes serem transferidas ao Recife antes do nascimento dos bebês.

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Nascimento raro em Noronha reacende debate sobre proibição de partos na ilha
Divulgação/Administração de Fernando de Noronha

O nascimento de um bebê em Fernando de Noronha, neste domingo (26), chamou a atenção por contrariar um protocolo adotado há mais de duas décadas no arquipélago. Desde 2004, gestantes moradoras da ilha são encaminhadas ao Recife antes do parto devido à ausência de estrutura hospitalar especializada para atender mães e recém-nascidos.

Segundo a Administração de Fernando de Noronha, a mulher chegou ao Hospital São Lucas sem informar que estava grávida e já estava em trabalho de parto avançado, o que impossibilitou a transferência para a capital pernambucana.

O menino nasceu na própria unidade de saúde e, nesta segunda-feira (27), foi levado ao Recife em uma UTI aérea para receber acompanhamento médico. Apesar do nascimento ter ocorrido na ilha, a criança poderá ser registrada oficialmente em Fernando de Noronha, conforme prevê uma lei estadual de 2017.

Por que os partos não são realizados na ilha?

Embora não exista uma lei que proíba o nascimento de crianças em Fernando de Noronha, o governo de Pernambuco mantém um protocolo que determina a transferência das gestantes para o Recife quando completam 28 semanas de gestação, aproximadamente sete meses.

Durante esse período, o Estado custeia as passagens aéreas, hospedagem e alimentação da gestante e de um acompanhante até o nascimento do bebê.

A medida foi adotada após a desativação dos serviços de parto do Hospital São Lucas. Atualmente, a unidade é considerada um hospital de média complexidade e não dispõe de maternidade, nem de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para gestantes ou recém-nascidos.

De acordo com o governo estadual, o Ministério da Saúde recomenda que os partos ocorram em maternidades com equipes especializadas, capazes de atender rapidamente possíveis complicações. Manter essa estrutura permanente em uma ilha com pouco mais de 3 mil habitantes teria alto custo operacional.

Tema divide moradores

A política de transferência obrigatória gera debates entre moradores de Fernando de Noronha. Muitas famílias defendem o direito de ter os filhos na própria ilha, enquanto o governo argumenta que a medida busca garantir mais segurança para mães e bebês.

A discussão ganhou repercussão nacional com o documentário "Proibido Nascer no Paraíso", lançado em 2021, que reúne relatos de mulheres que questionam o protocolo.

Um dos casos de maior repercussão ocorreu em 2020, quando uma gestante se recusou a deixar Fernando de Noronha por receio de contrair Covid-19 durante a viagem. Mesmo sem o consentimento dela, o governo de Pernambuco providenciou uma aeronave para levá-la ao Recife, onde o parto foi realizado.


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