Projeto prevê 30 minutos grátis em estacionamentos para PCDs no Piauí

Proposta apresentada na Assembleia Legislativa também estabelece o dobro do tempo de gratuidade oferecido aos demais motoristas. Medida ainda precisa ser aprovada para entrar em vigor.

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Foto: Thiago Amaral / Ascom Alepi
Foto: Thiago Amaral / Ascom Alepi

Pessoas com deficiência poderão ter mais tempo para utilizar estacionamentos sem pagar tarifa no Piauí. Um projeto de lei que começou a tramitar na Assembleia Legislativa do Estado (Alepi) estabelece pelo menos 30 minutos gratuitos nos estabelecimentos que não oferecem período de tolerância aos demais usuários.

A proposta é de autoria do presidente da Alepi, deputado estadual Severo Eulálio (MDB), e foi apresentada para análise dos parlamentares na terça-feira (20).

O objetivo é considerar as dificuldades adicionais de deslocamento enfrentadas por pessoas com deficiência, garantindo condições mais acessíveis para utilizar serviços e estabelecimentos comerciais.

Como funcionaria a gratuidade?

O Projeto de Lei Ordinária nº 179/2026 prevê duas situações para veículos utilizados por pessoas com deficiência.

Nos estacionamentos que já oferecem um período gratuito a todos os clientes, o tempo destinado às pessoas com deficiência deverá ser, no mínimo, o dobro.

Assim, se um estabelecimento permitir 15 minutos sem cobrança, o período de gratuidade para esse público deverá ser de pelo menos 30 minutos. Caso a tolerância geral seja de 20 minutos, o benefício será ampliado para pelo menos 40 minutos.

Já nos locais que não oferecem nenhum período gratuito aos demais motoristas, o projeto estabelece um mínimo de 30 minutos sem cobrança para veículos utilizados por pessoas com deficiência.

A proposta abrange estacionamentos e serviços de manobra e guarda de veículos no âmbito do estado, conforme a ementa registrada no sistema legislativo.

Medida busca reduzir barreiras de acessibilidade

A ampliação do período gratuito considera que pessoas com deficiência podem precisar de mais tempo para entrar e sair dos veículos, utilizar equipamentos de mobilidade ou percorrer o trajeto entre o estacionamento e o estabelecimento.

A iniciativa pretende reduzir essas dificuldades e oferecer condições mais equilibradas de acesso aos serviços.

O debate também envolve a aplicação de medidas de acessibilidade em espaços privados, especialmente aqueles que cobram pelo estacionamento de veículos.

STF já reconheceu validade de regra semelhante

A discussão no Piauí ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer, em outubro de 2026, a constitucionalidade de uma legislação do Paraná que estabelece condições semelhantes de gratuidade para pessoas com deficiência.

No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7901, os ministros consideraram válida a previsão de tempo gratuito em dobro ou de pelo menos 30 minutos nos estacionamentos privados que não oferecem tolerância geral.

A Corte entendeu que a medida representa uma forma de promover acessibilidade e compensar dificuldades de locomoção, sem impedir a cobrança pelo tempo excedente.

O julgamento também estabeleceu uma ressalva quanto à aplicação da legislação estadual a estacionamentos vinculados a órgãos públicos federais.

A decisão serve como referência jurídica para a discussão de propostas semelhantes em outros estados.

Projeto ainda não está em vigor

Apesar de ter iniciado sua tramitação na Alepi, a ampliação da gratuidade ainda não é uma obrigação estabelecida pela nova proposta no Piauí.

O texto precisa passar pelas etapas de análise e votação no Legislativo estadual antes de eventual encaminhamento para sanção.

Até que o processo seja concluído e a norma entre em vigor, os estabelecimentos continuam sujeitos às regras atualmente aplicáveis.

A tramitação do projeto poderá ser acompanhada pelo sistema legislativo da Assembleia Legislativa do Piauí.


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